“O telefone toca, era tarde.
— Alô?
— Amor?
— Cara, são 2:30 da manhã Júlia.
— Não me chama de Júlia, odeio e você sabe.
— Desculpa amor, o que foi?
— Tô sem sono. Canta para mim?
— Me ligou para isso?
— Sim. Por favor, amor.
— Ah Ju, não.
— Por favor.
— Ai, qual música?
— Se eu chorar!
— O quê? Nunca!
— Por favor, por mim.
Ele ri e aceita.
— Posso começar?
Ela ficou feliz, ele cantaria. — Pode.
— Pra viver eu só preciso de você, pra ser feliz eu só preciso te merecer. Pra ser melhor tem que acontecer de novo em outra vida, pra não chorar, vou cuidar tanto desse amor. — Ele ouve risadas. — E se eu chorar vai ser de saudade e eu vou te ligar quando ela bater. Às 4 ou 5 da manhã,falar que eu sou seu fã e só liguei pra dizer. — Ele não escuta nada. E continua. — Que agente se encaixa, é a tampa e a panela, é a chama e a vela, é cama e o colchão. E que o mal de quem ama é saudade, você é a metade do meu coração. E que eu sou o amor da sua vida, e sou água doce pra você beber. E que eu quero ouvir da sua boca que você é louca por mim, como eu sou por você. — Ele para.
— Ju?
Ela tinha caído no sono, ele sorri e diz:
— Boa noite pequena, eu te amo. — E desliga o telefone”
“Meu plano sempre foi querer um relacionamento sério com você e conquistar seu coração. Ainda bem que eu tenho o plano A e o plano B. O plano C nunca existiu ,não vou chorar por você.”
“Mas se você não consegue amar nem a si mesmo, como é que pode amar outra pessoa?”
“Casa comigo? pode ser de mentirinha, não ligo.”
“Os textos que não escrevo, aqueles que ficam pela metade, sem um fim coerente e sempre acabam no fundo da lixeira são os que deveriam ser publicados nas manchetes dos jornais. Porque você gosta de informação e com certeza isso iria chegar aos seus olhos. Teria por título: um coração vazio pode continuar batendo? Você se lembraria da gente, da nossa história porque é inevitável não lembrar. Os textos que não escrevo são os que mais transbordam sentimentos e por se tratarem de sentimentos confusos nunca saem de mim. E é isso que sempre fomos: uma enorme confusão. Somos corações que não bateram na mesma frequência. E como pode duas sintonias diferentes darem certo? Pois bem, nós demos. Porque pra alguns a margem de erro é somente isso, margem de erro, mas pra nós, é nela que estamos. Porque o mundo desacreditou da gente. E olha só, o pra sempre não precisa durar uma eternidade. Somos finitos e limitados, mas o amor não, ele perdura. Porque amor que é amor não se caba, o nosso não acabou. A vida segue seu roteiro, tudo bem. Nem sempre a história acaba do jeito que o roteirista imaginou. Seguimos caminhos opostos, trilhamos mundos diferentes. Mas vai falar de amor perto de mim, vai alguém falar de confusão perto de você. O coração dispara e a mente trabalha involuntariamente. Amor e confusão sempre foi a nossa definição. Espero que publiquem isso numa capa de jornal, espero que você leia, espero que você se lembre de nós.”
“Mas quando as coisas não rolam, quando não há qualquer sinal de correspondência, a sensação é mais ou menos um saco, como um resfriado mal curado. Você não consegue ir a lugar algum sem espirrar sua doença na cara dos outros.”
“A gente esquece sim, mas demora um tempinho pra isso. Tudo bem, acontece. Nem sempre as expectativas são correspondidas, na verdade pessoas foram feitas para quebrar promessas. Por bem, por mal. Sem intenções ou só por diversão. Todo mundo, todo mundo mesmo já disse alguma coisa que não pôde cumprir. “Eu nunca mais vou ligar”, ou “nunca mais vou responder suas mensagens”. No fim de tudo a gente mesmo acaba se contradizendo, e quebrando as promessas que nós mesmos fazemos.”